Não uma entrega. Mas a precarização. O lanche, a entrega e a ruptura
Você está em uma hamburgueria. Com sotaque estrangeiro no atendimento, luz intimista, temática desértica, sim, esse tipo mesmo. Você pede um hambúrguer, batata (geralmente meio fria) e uma bebida. Que tipo de atendente você imagina? Eu? Um jovem com um sorriso no rosto, uniforme temático — colorido, mas discreto e um atendimento invejável. Até o inglês para falar os nomes complicados esses atendentes dominam. Eles são uma das razões do sucesso desse tipo de estabelecimento no Brasil nos últimos 20 anos. Seguram pratos, bandejas e mesas dobráveis como numa coreografia. No fim, claro, chega a conta: o combo com refil sai por uns R$ 70, mais o serviço. Pago, agradeço e volto para casa. Outro dia, eu e minha esposa trabalhávamos em home office. Ela, mais do que eu, ficou com saudade do "sanduíche com sotaque". Vimos uma promoção: R$ 35 no almoço — sanduíche e batata, sem bebida. Ótimo. Pedimos dois. Uma das minhas responsabilidades mais importantes em casa é caminhar com nossa...