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Não uma entrega. Mas a precarização. O lanche, a entrega e a ruptura

Você está em uma hamburgueria. Com sotaque estrangeiro no atendimento, luz intimista, temática desértica, sim, esse tipo mesmo. Você pede um hambúrguer, batata (geralmente meio fria) e uma bebida. Que tipo de atendente você imagina? Eu? Um jovem com um sorriso no rosto, uniforme temático — colorido, mas discreto e um atendimento invejável. Até o inglês para falar os nomes complicados esses atendentes dominam. Eles são uma das razões do sucesso desse tipo de estabelecimento no Brasil nos últimos 20 anos. Seguram pratos, bandejas e mesas dobráveis como numa coreografia. No fim, claro, chega a conta: o combo com refil sai por uns R$ 70, mais o serviço. Pago, agradeço e volto para casa. Outro dia, eu e minha esposa trabalhávamos em home office. Ela, mais do que eu, ficou com saudade do "sanduíche com sotaque". Vimos uma promoção: R$ 35 no almoço — sanduíche e batata, sem bebida. Ótimo. Pedimos dois. Uma das minhas responsabilidades mais importantes em casa é caminhar com nossa...

Antes que a História Envelheça: A Urgência de Estar Presente

Há notícias que nos atravessam por algumas horas, ocupam as redes, geram indignação, medo, comentários e, logo depois, envelhecem. Tornam-se apenas mais um caso em meio a tantos outros. Mas algumas notícias não deveriam passar. Elas deveriam nos convocar. O caso da professora que relatou que um aluno colocou vidro em seu copo de água durante a aula, em São José dos Campos, não fala apenas de indisciplina. Fala de violência, de desumanização e de uma sala que viu, murmurou, alertou pela metade, mas não interrompeu o risco imediatamente. Segundo o relato publicado, a professora questionou justamente isso: por que ninguém avisou de forma direta que havia vidro no copo? Poucos dias antes, outro caso também nos confrontou com a urgência da presença: Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, morreu em Limeira após ser lançada em uma atividade de rope jump sem estar presa à corda de segurança. Reportagens apontam que ela foi arremessada de uma altura de cerca de 40 metros, e que t...

Inauguração SESC Franca - Sankofa e Abdias Nascimento: Ancestralidade, Identidade e a Construção de Futuros Coletivos Preferíveis

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Sesc Franca - Oficina Adinkra Escrito por Daniele Caetano Fala de abertura integração com as/os colaboradores do SESC Franca, novembro 2024 mais de 200 pessoas. A ideia de futuro, presente e passado está acontecendo aqui e agora, e Sankofa da simbologia Adinkra, nos lembra disso. Quando falamos em identidades, podemos nos conectar com algumas perguntas: Como nos tornamos quem somos? O que ou quem nos constitui? Essa construção é fixa ou ela muda? As identidades são constituídas no cotidiano, desde a infância. Nossas identidades são construídas no coletivo; elas são a soma de como eu me vejo e de como o outro me vê. O outro me compõe! Vivemos em rede, interligados e nos afetando mutuamente de diferentes formas. Nesse sentido, essa conversa também trata da responsabilidade e da necessidade de nos relacionarmos com a consciência do cuidado, mantendo viva a ideia de que meu olhar, meu gesto, minha fala e minhas escolhas afetam todas as pessoas. Ter essa consciência responsável nos permite ...

Romper o Silêncio e Emergir a Consciência: A Urgência de Ações Contra o Racismo, Elitismo, Bullying e Homofobia nas Escolas e em casa!

Escrito por Daniele Laurinda Caetano As instituições muitas vezes se beneficiam da efemeridade das mídias, do esquecimento e do silêncio para manter uma imagem positiva. É necessário se contrapor a esse ciclo de esquecimento e silêncio. É necessário fazer emergir uma consciência responsável! Diante disso, o que pode ser mais urgente do que dialogar sobre a vida interrompida de Pedro Henrique de Oliveira dos Santos, um jovem de apenas 14 anos? Não há nada mais importante do que discutir a morte brutal deste jovem, cuja vida foi retirada. A sociedade, outros jovens, suas famílias e a própria instituição onde ele estudava tiveram sua parcela de responsabilidade na tragédia que tirou a vida de Pedro. Sua história remete a casos como o de George Floyd, que, após repetir mais de 20 vezes que não conseguia respirar, foi assassinado fisicamente. Pedro, de forma semelhante, clamou por ajuda, sentindo-se sufocado, e no dia 12 de agosto de 2024, tirou sua própria vida, sendo assassinado psicologi...

Artigo | O racismo está em todos os lugares

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Em 25 de maio de 2020, período em que o Brasil e o mundo viviam incertezas causadas  pelo isolamento social exigido pela pandemia de covid-19, George Floyd, de 46 anos, morador de Minnesota, nos Estados Unidos, teve sua vida brutalmente retirada em uma abordagem policial depois de repetir 27 vezes que não conseguia respirar. A morte de Floyd, produziu um movimento antirracista em escala global. Nas escolas Waldorf do Brasil, esse impulso externo despertou a criação do Movimento Preto na Pedagogia Waldorf (MPPW), como questionamento da trajetória dos corpos negros em uma pedagogia essencialmente branca. As escolas Waldorf chegaram ao Brasil em 1956 e, desde a primeira instituição em São Paulo, o currículo e a inspiração são centrados na cultura alemã. Localizadas em um contexto plural nos âmbitos histórico, político, econômico e racial, como é o Brasil, são inevitáveis as tensões dentro dos espaços escolares. No entanto, até 2020, as inquietações estavam dispersas nas diversas escol...

Ações para a educação das relações étnico-raciais: a impreterível responsabilidade individual e coletiva das pessoas brancas no Brasil.

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  Quando elas/ eles falam é científico, quando nós falamos é acientífico    universal / específico; objetivo / subjetivo; neutro / pessoal; racional / emocional; imparcial / parcial; elas/ eles têm fatos / nós temos opiniões; elas/ eles têm conhecimento / nós temos experiências.   Grada Kilomba,   Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano                        Grada Kilomba, escritora, psicóloga, teórica e artista interdisciplinar portuguesa, demonstra como a hierarquia racial — ou melhor, o racismo — se manifesta na vida social. Ela busca evidenciar esses mecanismos que operam no cotidiano e que são amplamente naturalizados. As pessoas brancas podem viver uma vida inteira sem refletir sobre sua constituição racial, pois elas se enquadram no padrão aceito e desejado. Já as pessoas negras, desde muito cedo, descobrem que estão em um corpo indesejado pela sociedade br...

Nosso Nascimento - Consultoria Escola Livre de ERER

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