Inauguração SESC Franca - Sankofa e Abdias Nascimento: Ancestralidade, Identidade e a Construção de Futuros Coletivos Preferíveis

Sesc Franca - Oficina Adinkra



Escrito por Daniele Caetano

Fala de abertura integração com as/os colaboradores do SESC Franca, novembro 2024 mais de 200 pessoas.


A ideia de futuro, presente e passado está acontecendo aqui e agora, e Sankofa da simbologia Adinkra, nos lembra disso.

Quando falamos em identidades, podemos nos conectar com algumas perguntas: Como nos tornamos quem somos? O que ou quem nos constitui? Essa construção é fixa ou ela muda?

As identidades são constituídas no cotidiano, desde a infância. Nossas identidades são construídas no coletivo; elas são a soma de como eu me vejo e de como o outro me vê. O outro me compõe! Vivemos em rede, interligados e nos afetando mutuamente de diferentes formas.

Nesse sentido, essa conversa também trata da responsabilidade e da necessidade de nos relacionarmos com a consciência do cuidado, mantendo viva a ideia de que meu olhar, meu gesto, minha fala e minhas escolhas afetam todas as pessoas.

Ter essa consciência responsável nos permite criar ambientes de trabalho melhores, mais seguros psicologicamente e mais saudáveis.

O que nos traz aqui hoje?

Poderíamos passar uma vida inteira sem nunca nos encontrarmos, mas os nossos caminhos se cruzaram, e hoje estamos aqui, juntos, juntas e juntes, neste território que foi precedido por diversas pessoas das quais podemos nos orgulhar. Elas sonharam e realizaram feitos, para que hoje a realidade sonhada fosse possível, fosse materializada.

Dentre elas, destacamos Abdias Nascimento, que nos deixou um legado. Estamos aqui, 110 anos após o seu nascimento, falando sobre ele. Abdias vive, ainda que esteja morto. Isso é ancestralidade: manter viva a memória de pessoas que pavimentaram um caminho frutífero para as gerações futuras.

E você? Enquanto vive, o que constrói cotidianamente? Como ficam as pessoas e os ambientes por onde você passa? Eles se tornam mais bonitos, plurais, acessíveis, respeitosos, inclusivos, leves, mais sustentáveis?

Quais são nossos sonhos coletivos? O que desejamos construir juntos?

É preciso imaginar e criar futuros preferíveis, mas eles não se efetivam no futuro — são construídos cotidianamente e coletivamente com base nas nossas escolhas e preferencias. Precisamos negar, hoje, futuros que não nos ajudam a avançar, que são excludentes que excluem pessoas. Com isso há um dia do nosso 20/11, encerro com as palavras de Abdias um dos principais pesquisadores a trazer o conhecimento Adinkra para o Brasil e em seu pronunciamento em 18/11/1998 enquanto senador nos diz:

"Prefiro, desse modo, ser considerado um veículo, um cavalo dos nossos orixás na tarefa de manter acesa a chama e com ela iluminar novos caminhos para a redenção de nosso povo. Assim, neste momento em que se aproxima o fim de meu mandato, quero deixar registrada a prestação de contas deste filho de Zumbi, na certeza de ter envidado o melhor de meus esforços e concentrado o que me resta de energias no propósito de concretizar os generosos ideais de nosso herói maior. Axé, Zumbi!"

Axé Dandara! Ora yeye ô!

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