Nosso Nascimento - Consultoria Escola Livre de ERER

 





Angela Davis, filósofa norte-americana, disse: “Quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela”

 

Toda empresa nasce para resolver um problema; algumas criam soluções para problemas da sociedade. Isso faz todo sentido, pois quem não quer resolver seus problemas e ter uma vida melhor? Com o objetivo de enfrentar a desigualdade racial nas instituições de ensino, criei a Consultoria Escola Livre de Educação e Relações Étnico-Raciais em 2020. Combinando meus conhecimentos como educadora, gestora, mãe e mestre, acreditei ser possível orientar instituições de ensino em direção a um caminho antirracista.

O problema que decidi enfrentar e para o qual proponho soluções é o racismo nas instituições de ensino, um grande desafio, devo confessar. Nestes quatro anos de atuação, tive motivações suficientes para desenvolver e ministrar letramentos raciais específicos para diversas organizações. Por que específicos? Porque o Brasil é vasto, as interações sociais são diversas e o racismo permeia toda a sua extensão. Em meus letramentos, um dos critérios é a participação de todos os grupos que compõem a instituição escolar, como funcionárias, responsáveis pelos estudantes, profissionais de educação e mantenedoras.

Os seguintes pontos são comuns nas instituições:

  • A falta de uma educação antirracista prévia; as pessoas se tornam pais e mães e repassam valores recebidos, que incluem problemas estruturais, como o racismo.
  • Os responsáveis não têm plena noção de como as instituições de ensino podem ser desiguais e extremamente prejudiciais para negros e outros grupos considerados fora do padrão. Estranhamente, mesmo em um país onde mais de 55% se autodeclaram negros, o padrão é a minoria.
  • O currículo das escolas tem uma base europeia apontada como um modelo universal.
  • Grande parte dos professores não possui qualificação adequada para esse trabalho; alguns buscam se qualificar por conta própria, outros têm acesso a formação oferecida por algumas instituições, mas muitos não consideram isso importante. Poucos se dedicam e buscam formação adequada.
  • Temas raciais e atos ocorridos nas instituições são gerenciados de modo improvisado, com a percepção de que não há necessidade de um trabalho profissional.
  • A escola, de modo geral, negligencia os casos e tende a abafar os atos ocorridos, com medo da repercussão e de como as famílias, também não letradas, irão lidar com o tema.
  • Registros desses incidentes não são propriamente documentados, e, com isso, a aprendizagem através do erro é limitada ou inexistente.
  • Por fim, as crianças ficam em um ambiente incoerente que sinaliza não ser racista, mas exerce o racismo naturalizado. Tanto a criança ofensora quanto a ofendida não encontram um ambiente de cuidado e aprendizagem, o oposto do que se espera de uma instituição de ensino.
Uma boa notícia é que muitos responsáveis e professores com os quais me relacionei vêm a atual situação como inaceitável. Esperam das escolas que implementem um currículo plural, processos de cuidado, controle e registro de ocorrências e, além disso, demandam ser informados caso algo ocorra com seus filhos, sejam eles ofensores ou ofendidos.

Sim, há o grupo do "deixa disso", do "todos são iguais na minha sala de aula" ou "criança é assim mesmo, eles se entendem". No entanto, esses são menos numerosos e, se houver abertura, podem ser afetados pelo efeito do letramento que conduzo.

A Escola Livre, por padrão, realiza letramentos em instituições educacionais que levam meses para serem concluídos – gostamos do formato de 8 aulas semanais, com atividades práticas, confronto e acolhimento. Nestes 4 anos, pudemos transformar a realidade de uma dezena de escolas e impactar positivamente mais de 500 pessoas. Que venham mais!   

 

        Contato: escolalivreantirracista@gmail.com


 

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